quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Oficina pedagógica de capoeira da SOGUBE

Capoeira Ecológica: a integração harmônica com o ecossistema
Matéria públicada junto ao jornal O GUAIRA, em 14 de dezembro de 2011.
Está imagem foi tirada no curso da USP, em agosto de 2011.

A SOGUBE desenvolve várias oficinas pedagógicas, entre elas, a capoeira ecológica


A Sogube (Sociedade Guairense de Beneficência) procura inovar sempre no sentido de oportunizar os seus educandos a vivenciarem de forma lúdica e integrada todas as oficinas pedagógicas junto a Cidade dos Meninos e Guarda Mirim. A cultura, a musica, o esporte, o meio ambiente, são abordagens pedagógicas que possibilitam trabalhar questões sócio-afetivas e sócio-culturais de suma importante nos dias de hoje onde a individualidade sobrepõe-se ao companheirismo e, infelizmente, o trabalho em grupo (família) acaba não sendo exercido por vários fatores.
Trabalhando com a filosofia de acreditar sempre que é possível fazer algo no presente para colher no futuro, a SOGUBE tem por principio, trabalhar utilizando todas as ferramentas sociais, educacionais, culturais e esportivas para contribuir na formação humana dos nossos educandos. O companheirismo, a disciplina, o trabalho em grupo, a cooperação e o respeito são qualidades que são indispensáveis para sobrevivência humana, essas qualidades também fazem grandes diferenças para e dentro do mercado de trabalho.
E no sentido de oportunizar as crianças e os adolescentes da Cidade dos Meninos a vivenciarem de várias formas didáticas e pedagógicas a cultura humana como o esporte, a musica, a dança, os jogos, o meio ambiente no sentido de complementar a educação e o crescimento sócio-cultural dos atendidos, desta vez, a SOGUBE está investindo na oficina pedagógica de capoeira ecológica.
Nesse momento em que o mundo está todo voltado as questões do descompasso econômico, por outro lado, sem água potável e oxigênio não há economia que sustente qualquer nação. A SOGUBE enquanto equipe, acredita inteiramente que questões ambientais deveriam estar sobre a mesa de todos os governantes mundial. Enquanto isso, nós procuramos fazer a nossa parte buscando formas e mecanismos para conscientizar aqueles que serão os principais protagonistas (crianças) de um futuro não muito distante.
Ainda temos água potável em abundância, oxigênio puro e limpo, mas se não receber os devidos cuidados por todos nós, infelizmente, nossos filhos e netos não terão as mínimas condições de usufruir e muito menos contemplar um pouco das belezas naturais que Deus nos concebeu: a vida e a natureza.
A capoeira que nasceu no seio da floresta brasileira e que sabiamente utilizou dos movimentos dos animais para construir a única arte-marcial brasileira, hoje em dia, tem através dos capoeiristas, a grande preocupação de lutar em prol da ecologia e juntamente com a SOGUBE, o educador e professor de capoeira, Ademir Alves com a supervisão da pedagoga, Carina de Andrade vem desenvolvendo através do método natural a oficina pedagógica de capoeira ecológica. O objetivo principal da oficina é conscientizar os educandos sobre a importância de integrar (cultivo sustentável) e respeitar o sistema ecológico (aprendizagem sem ter que destruir). E com uma didática e metodologia própria o educador demonstra a importância dos movimentos dos animais para o desenvolvimento da capoeira, bem como, a importância do desenvolvimento físico e motor das crianças. Essas vivências são desenvolvidas de maneiras lúdicas com o objetivo principal de conscientizar todos sobre as vantagens de cuidar do nosso maior patrimônios naturais: água (hidratação), terra (de onde sai o sustento para o cultivo da cabaça: caixa de ressonância do berimbau) e florestas (madeira para confeccionar o berimbau: biriba e oxigênio). Ou seja, a integração harmônica com o ecossistema.
O educador ainda procura aproveitar bem sala de aula (pracinha defronte a SOGUBE) no sentido de realizar algumas abordagens pedagógicas como, por exemplo, utilizar uma pequena árvore que está em crescimento e transformá-la em berimbau sem cortar nenhum galho e muito menos arrancar uma só folha. Abordagens pedagógicas utilizando as árvores maiores para contextualizar algumas situações vividas com os escravos através da utilização da natureza como fonte de sobrevivência (o Quilombo dos Palmares foi o maior exemplo de como se vive em sociedade; onde era possível plantar sem destruir, utilizava-se de várias formas ás águas sem poluir, cada morador cuidava do que era seu, mas por outro lado, todos cuidavam ao mesmo tempo do seu habitat natural. A sociedade Quilombola soube aproveitar exemplarmente o nosso ecossistema). Mas o que as crianças adoram mesmo é o jogo de capoeira através dos movimentos dos bichos, onde elas literalmente incorporam os bichos como jacaré, macaco, caranguejo, aranha, gorila, arraia, cobra, escorpião, sapo, peixe, bode, entre outros.
O jogo de capoeira ecológico é um jogo onde os animais são os maiores protagonistas da roda. Ou seja, é através do jogo dos bichos que as crianças são conscientizadas sobre a importância ao ecossistema.
A SOGUBE esta sempre de portas abertas a comunidade para conhecer mais de perto essa e nossas outras oficinas.

Link: www.oguaira.com.br/2011/12/14/capoeira-ecologica-a-integracao-harmonica-com-o-ecossistema/

sábado, 10 de abril de 2010

Capoeira e Arte

A capoeira como expressão da cultura afro-brasileira é considerada por muitos também como arte. Uma manifestação que reúne tantos elementos estéticos como a música, as artes do corpo (dança, expressão corporal, acrobacia, etc…), a teatralidade, o artesanato, a pantomima entre outros, sem dúvida nenhuma reúne características suficientes para ser considerada uma atividade artística.

Como não reconhecer um verdadeiro artista, naquele capoeira que toca um berimbau com requinte e talento; naquele que canta com extrema afinação, expressando profundo sentimento através da voz; naquele que constrói os próprios instrumentos baseados nos conhecimentos passados de geração em geração; naquele capoeira que faz do seu corpo uma obra de arte e se transforma num virtuoso dançarino ao movimentar-se; ou ainda naquele que dramatiza com perfeição durante um jogo, cenas quase teatrais, que arrancam gargalhadas e aplausos da platéia?


A arte busca, entre outras coisas, alcançar o belo, o deleite, o prazer, a reflexão, a sensualidade, a emoção, e encontra na capoeira uma interessante forma de expressão, que se baseia nos conhecimentos ancestrais e na tradição, construindo todo um universo de sentidos e significados que acabam, em última instância, atingindo muitos dos objetivos que uma atividade artística procura, seja para os capoeiristas que a praticam, seja para o público que a assiste.

Além disso, a capoeira é também retratada como tema de várias atividades artísticas. Na pintura, as obras de Carybé são a sua maior expressão, na fotografia, não há quem não admire o belo trabalho de Pierre Verger e na literatura, as obras de Jorge Amado descrevem com precisão cenas e personagens da capoeiragem de outrora. Mas também a capoeira é tema de uma grande quantidade de espetáculos de dança já há várias décadas. Tantas e tantas músicas do nosso cancioneiro popular falam da capoeira, e outras tantas peças de teatro, em muitas ocasiões já retrataram a capoeira direta ou indiretamente.

Porém de todas as artes, o cinema tem sido o que mais tem dado espaço para a capoeira. Temos uma grande quantidade de filmes que marcaram época e que retratam essa manifestação, seja como tema central ou como pano de fundo. Desde os clássicos “Veja o Brasil” (1948) de Alceu Maynard; “Vadiação” (1954) de Alexandre Robatto, “O Pagador de Promessas” (1962) de Anselmo Duarte, “Barravento” (1963) de Glauber Rocha, “Dança de Guerra” (1968) de Jair Moura, e “Jubiabá” (1984) de Nelson Pereira dos Santos, até os mais recentes “Pastinha, uma vida pela capoeira” (1998) de Toninho Muricy, “O Velho Capoeirista” (1999) de Pedro Abib, “A Capoeiragem na Bahia” (2001) de José Umberto; “Mandinga em Manhattan” (2004) de Lázaro Farias, “Leopoldina, a fina flor da malandragem” (2006) de Rose La Creta; “Mestre Bimba: a capoeira iluminada” (2007) de Luis Fernando Goulart; “Memórias do Recôncavo: Besouro e outros capoeiras” (2008) de Pedro Abib e “Besouro: da capoeira nasce um herói” (2009) de João Daniel Tikhomiroff, só para citar alguns, pois atualmente, uma quantidade muito grande de documentários sobre capoeira têm sido produzidos. Até produções internacionais tem retratado a capoeira, como no caso dos filme norte-americanos “Besouro Preto” (2001), um documentário de Salim Hollins ou “Esporte Sangrento” (1993) de Sheldon Letich, se bem que esse último traz uma visão um tanto deturpada da nossa arte, como é de costume dos filmes comerciais feitos nos Estados Unidos, ao retratarem realidades que não fazem parte de sua cultura.

Por todas essas razões, sem nenhum receio, todo capoeirista pode se considerar também, um artista !!!

Pedro Abib (Pedrão de João Pequeno) é professor da Universidade Federal da Bahia, músico e capoeirista, formado pelo mestre João Pequeno de Pastinha. Publicou os livros “Capoeira Angola, cultura Popular e o Jogo dos Saberes na Roda”(2005) e “Mestres e Capoeiras Famosos da Bahia”(2009). Realizou os documentários “O Velho Capoeirista” (1999) e “Memórias do Recôncavo: Besouro e outros Capoeiras” (2008).

Texto Recomendado:
O pulador de facas da Praça Dante

A Ginga e a sabedoria do capoeira: Antônio Martins usa de toda a sua mandinga e carisma para sobreviver...de praça em praça e utilizando os recursos adquiridos na escola da vida e na capoeiragem o baiano é mais um "Brasileiro" lutador e criativo!!!

Luciano Milani (www.portalcapoeira.com)

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Língua portuguesa invade terra da rainha


O gingado brasileiro da capoeira conquistou gringos e o termo entrou para o dicionário inglês

Fonte: R7.com
Palavras como capoeira, caipirinha e telenovela agora estão na versão eletrônica do Oxford English Dictionary, tradicional dicionário inglês

Todo mundo sabe que quando gringos vêm ao Brasil eles ficam deslumbrados com nossa ginga e o samba no pé das mulheres brasileiras. Agora, até as expressões que usamos encantaram os ingleses.
O Oxford English Dictionary (Dicionário de Inglês Oxford), um dos mais famosos do mundo, inclui palavras em português na sua seleção.
Na versão eletrônica da publicação, termos como lambada, capoeira, cavaquinho, umbanda e telenovela estão entre os cerca de meio milhão de verbetes ingleses.
Segundo o site do consulado brasileiro em Londres, cerca de 200 mil brasileiros moram nas terras da rainha, fator que deve contribuir no intercâmbio cultural entre os países.
Com vários restaurantes tipicamente brasileiros em cidades britânicas, principalmente na capital inglesa, palavras como feijoada, caipirinha, açaí, churrascaria e farofa também foram incorporadas à nova versão online.

domingo, 22 de novembro de 2009

Governador sanciona projeto que torna capoeira bem imaterial do Rio


O governador Sérgio Cabral sancionou o projeto de lei que torna a capoeira bem imaterial no estado do Rio de Janeiro, nesta sexta-feira. Ele participou dos eventos comemorativos do Dia da Consciência Negra, na capital fluminense. No evento, Cabral também comemorou a decisão do Tribunal de Justiça de manter a lei de cotas nas universidades em benefício do movimento negro. O governador explicou ainda que é necessário ampliar as políticas públicas, inclusive, com uma lei de cotas nas empresas.
Fonte: www.sidneyrezende.com/noticia/64888+governador+sanciona+projeto+que+torna+capoeira+bem+imaterial+do+rio

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Recomomeço: É sempre tempo de recomeçar



Jornal Recomeço
Elaborado com textos dos detentos da Cadeia Pública de Leopoldina - MG (com a colaboração da Pastoral Carcerária)

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Quem trabalha com a capoeira X capoeirista


Falar pedagogicamente da arte-luta capoeira, para mim é um papo filosófico, cultural, educacional e desportivo muito importante no sentido de valorização por nossa cultura.
A cultura corporal desenvolvida através da capoeira, é uma das características do nosso povo, sendo a mesma sinônimo de “liberdade” e “expressão corporal”. Já em outras culturas corporal como as lutas, as danças, as musicas, etc, não trazem essa expressividade no sentido da malandragem corporal, que nós brasileiros temos.
Essas culturas "estrangeiras", que por sua vez são sempre importadas, chegando até nós no sentido de valorização (ás vezes, meio que impostas) através das escolas (educação física), escolinhas, cinema, instituição de ensino, entre outras possibilidades de ensino. Eu não tenho nada contra essas importantes culturas, mas infelizmente, algumas dessas culturas nos deixam meio que americanizados ou mesmo euro-robotizados “corporalmente” falando, ou seja, um comportamento corporal com outras características físicas. É como se maquiassem o nosso comportamento, nós privando de tais sentimentos como os da “liberdade” e os da “malandragem corporal”. Malandro que é malandro, tem que saber mexer muito bem.
Voltando a capoeira, para mim em particular não existe papo melhor! Falar da arte-luta capoeira, é como se eu estivesse em transe mais um transe educacional e pedagógico de dar inveja a qualquer medicamento alternativo e a qualquer exorcismo espiritual. Ou seja, a capoeira, é algo que alimenta a minha mente e acalma a minha alma! Alem de sustentar a minha família, é claro.
Mais hoje em dia, dividir conhecimentos ou contribuir para o esclarecimento junto á comunidade capoeiristica bem como a comunidade de um modo geral, não é nada fácil! É uma complexidade tremenda que me faz lembrar de uma outra: “quem veio primeiro, o ovo ou a galinha”?
Esclarecer para um capoeirista (independentemente do tempo que ele tenha de pratica) que ele é limitado perante as pessoas que trabalham com a capoeira de forma pedagógica, não é nada fácil. O mais importante é que eu tento! O que eu ganho com isso? Nada! Mais a capoeira, demonstra mais uma vez ser muito mais do que um simples jogo de piruetas e acrobacias.
Recentemente eu participei (isso não é uma critica, é somente um relato!) das primeiras reuniões com as coordenadoras dos CECONS (Centro de Jornada Continuada) fiquei surpreso e ao mesmo tempo ansioso porque apesar da vontade que elas têm de desenvolver uma educação de qualidade em nosso município, mais mesmos assim, elas não tinham conhecimentos de como a capoeira poderia ser trabalhada de forma pedagógica e educacional dentro das escolas.
Por um lado isso é bom, me faz ser muito mais profissional!
A minha surpresa se deve a questão de que a capoeira, vem crescendo dia-a-dia junto às instituições de ensino em nível de Brasil. Já na questão da ansiedade eu fiquei por começar logo o trabalho e demonstrar que a arte da capoeira, tem sim um lugar junto das escolas. Um lugar chamado disciplina da capoeira ou caminhos curriculares através da capoeira. Enfim, chamem do que quiser, mas digam que hoje, a capoeira, faz parte da escola!
Bom, mais uma vez eu me pergunto e me respondo á seguinte questão: “dentro da escola devemos ser mestre de capoeira ou educador”? Aproveito também para resumir o meu ponto de vista sobre essa importante questão para não fugir do titulo de hoje.
Se a escola tem por principio formar cidadãos críticos e conscientes, devemos ser educadores. Agora, se a escola estiver preocupada em formar atletas, devemos ser o mestre de capoeira propriamente dito. Pois o mestre tem uma bagagem muito grande na questão desportiva, ou seja, na “arte de lutar sorrindo”.
Mais a diferença de quem trabalha com a capoeira, para quem é capoeirista é enorme, isso porque aconteceram alguns equívocos na formação (cultural, educacional e pedagógica) desse mesmo capoeirista, dando assim, algumas conotações diferentes em sua formação de mestre, professor, instrutor ou mesmo aluno graduado na capoeira.
Volto a reafirmar mais uma vez, que hoje em dia, o capoeirista não tem que lutar mais para se defender. Já caiu o código penal (1890 a 1930) em que a capoeira, fazia parte do mesmo e, onde o capoeirista pegava de seis meses a dois anos de prisão na ilha de Fernando de Noronha.
Bom, já que eu estou falando de quem trabalha (pode ser qualquer profissional) com a capoeira, imagine, agora, um professor de educação artística trabalhando com a capoeira através de desenhos, musicas, colagem, formas geométricas, gravuras ou as belas pinturas como as dos pintores francês Debret e o alemão Johann Moritz Rugendas que no século XVIII, retrataram a capoeira em belíssimos quadros? Imaginemos um professor de educação física realizando vivencias com a capoeira no sentido da pscomotrociadade? Imaginemos um professor de português trabalhando com as cantigas da capoeira na questão da alfabetização, poema como o do “navio negreiro” ou talvez composição musical envolvendo a questão da escrita e a capoeira. Um professor de história falando sobre a importância que capoeira teve diante das invasões holandesas (1624), guerra do Paraguai (1865 a 1869), revolta dos batalhões mercenários (1828), a primeira crise ministerial (1890), O livro “A Arte da Gramática de Língua mais Usada na Costa do Brasil” (1595) onde o padre Jose de Anchieta, faz uma citação dos índios e a capoeira, A criação da Guarda Negra, que em 1888 foi criada para salvar a monarquia contra os republicanos. Continuando ainda na questão da imaginação: o professor de teatro trabalhando com o contexto envolvendo a capoeira, O professor de geografia falando sobre a capoeira do ponto de vista geográfico. Enfim, são tantas as possibilidades que a capoeira pode ser desenvolvida por quem pode trabalhar com a capoeira. Isso até é bom para nós capoeiristas porque nós deixa com um pouco de receio na questão da profissionalização junto ao mercado de trabalho. Ai é: “quem não se capacita se trumbica”. Essa frase é um trocadilho da frase do o velho guerreiro Chacrinha.

Já o capoeirista nada mais é que um ser limitado do ponto do educador. Explico: dentro da escola se educa, ai entra o papel do educador como se educa também nas ONGs, Associações de bairros, Centros comunitários, etc. Vejamos: o capoeirista, é um personagem da capoeira que, infelizmente, só da vida para esse personagem, quando ele esta jogando na roda ou mesmo participando diretamente da mesma. Mais isso não quer dizer que o capoeirista não seja uma pessoa importante para o meio. Até porque se não eu estaria desvalorizando a mim mesmo. E não é por ai. Mais todo o bom capoeirista tem que saber dar o seu devido valor. Enfim, se capacitar, ser sempre profissional de preferência, ser um educador dentro da escola e, por fim, deve ser sim um capoeirista da roda de capoeira, mas a roda que eu estou falando fica dentro da escola.
Todo bom capoeirista tem que entender algumas coisas do ponto de vista da educação, e que ainda, a sua capoeira, tem que ter o tempero da igualdade, da liberdade, da fraternidade. Ou isso ou ele vai ser mais um capoeirista frustrado ao ver vários profissionais de outras áreas especificas trabalhando com a capoeira.
É preciso muita seriedade com a capoeira, até porque se não um dia alguém vai escrever: Quem trabalha com a capoeira, esta desempregando os capoeiristas.
É ver para crer.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Devemos ser mestre de capoeira ou educador dentro da escola?


Desenho premiado pela Agência Espacial Brasileira. Autor: Diogo Gabriel Farias
Fonte:www.educacao.go.gov.br/educacao/jornaldaeducacao/01/13.asp

domingo, 5 de abril de 2009

3 de agosto, dia do Capoeirista


Matéria publicada junto ao jornal “oguaira” (www.oguaira.com.br) no ano de 2008.

Muitas pessoas, "ainda", infelizmente, não sabem, mais o dia 3 de agosto comemora o dia do capoeirista. Talvez por falta de informação ou mesmo por falta de interesse. Mas vamos lá: 3 de agosto, um dia em que eu particularmente faço o de reflexão. Uma reflexão no sentido de realidade nacional. Ou seja, será que estou sendo ouvido como brasileiro-capoeirista-educador que sou? Será que o papel social que é desenvolvido através da capoeira não tem valor para o povo brasileiro que, ainda, infelizmente, olha com outros olhos para a capoeira?
Eu ainda não entendo o do porque tanto preconceito para com a capoeira. Hoje em dia, o papel principal da capoeira é de formar bons cidadãos conscientes? Principalmente, sobre o nosso passado!
Através da capoeira o Brasil exporta cultura, musica e principalmente, o nosso bom e velho português. Mais e ai? E, ai que o povo brasileiro ainda não aprendeu a dar valor para aquilo que tem. Ou seja, lembra da invasão Holandesa, guerra dos mercenários, guerra do Paraguai, o surgimento do frevo e do samba? Tenho certeza que não. Mais a nossa capoeira participou dessas batalhas e no desenvolvimento cultural dessas manifestações! E o povo brasileiro não sabe disso. Ou pelo menos, a maioria não sabe. Isso gente, é conteúdo de história, geografia e educação física.
Mais e o "Titulo de Patrimônio Cultural da Humanidade"? Eu já chego lá.
PARABÉNS a todos os nobres capoeiristas (só no Brasil são mais de 6 milhões) que fazem da arte-luta uma forma de socialização, educação, recreação e sendo às vezes reabilitação.
Agora, mas como surgiu essa data: É lei?! E, se é lei, tem que ser cumprida?!

DIA DO CAPOEIRISTA
Lei nº. 4.649, de 07 de Agosto de 1985 Institui o "Dia do Capoeirista", a ser comemorado anualmente, no dia 3 de agosto, O GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO:

Faço saber que a Assembléia Legislativa decreta e eu promulgo a seguinte Lei:
Artigo 1º - Fica instituído o "Dia do Capoeirista", a ser comemorado, anualmente, no dia 03 de Agosto.
Artigo 2º - Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação. Palácio dos Bandeirantes, 07 de agosto de 1985.
FRANCO MONTORO
Publicada na Assessoria Técnico-Legislativo, aos 7 de agosto de 1985.

Recentemente, a nobre Capoeira (que é 100% brasileira e, não como muitos leigos afirmam por ai...) foi tombada como Patrimônio Cultural da Humanidade. Um título (valorização) nada mais que justo (reconhecimento) para com esta arte que vem fazendo tanto por nosso pais.
Não podemos esquecer que, o "Brasil", deve muito para a capoeira. Enquanto, que a capoeira, que já fez muito por nosso pais não deve nada. Pelo contrário, ela vem fazendo muito e muito pouco é dado a ela o seu devido valor!
Para finalizar: nem todo aniversario foi feito para se comemorar. Mais sim, para refletir sobre o seu devido motivo.

sexta-feira, 27 de março de 2009

O Herói capoeira


Matéria publicada junto ao jornal “oguaira” (www.oguaira.com.br) em 14 de junho de 2008

Ao ler o titulo deste artigo é natural que o nobre leitor se pergunte: O capoeirista é um herói? Por quê?
A capoeira surgiu através das culturas negras e indígenas. Mais com passar do tempo e tendo a necessidade de sobrevivência, sem dinheiro, casa, comida, etc.etc. Uma boa parte dos capoeiras (ex-escravos), infelizmente, tomou outros rumos, que não foram o de liberdade, brincadeira e vadiagem. E, com isso, ela acabou fazendo parte do código penal brasileiro. Isso de 1890 até por volta de1937, quando o então presidente da republica, Getulio Vargas, baixou um decreto tirando a capoeira do código penal. Até então, os capoeiristas eram conhecidos como vadios e arruaceiros.
Agora, o nobre leito esta lendo que o capoeirista é um herói. Explico ao invés de complicar: do ponto de vista do guairense, brasileiro e capoeirista que sou, acredito, inteiramente, que o capoeirista é um herói. Sim! Dado as devidas proporções. É claro!
Vejamos: alguém pode me dizer em que escola e em quais são os livros que falem sobre a participação da capoeira no desenvolvimento cultural, social, político e musical. Estou falando em nível de Brasil? Até porque hoje em dia, a capoeira exporta o nosso bom e velho idioma para os cincos continentes. E isso, muitos leitores não sabem.
Segundo recentes pesquisas constam que a guarda do Jose do Patrocínio e do próprio imperador D. Pedro I, era formada por capoeiras. Mais esse prestigio começou a cair por causa das leis abolicionistas. A capoeira teve importante participação também nas invasões Holandesa, revolta dos mercenários, guerra do Paraguai. A capoeira ainda fez com que o governo republicano sofresse sua primeira crise ministerial. Mais a nossa capoeira não foi só problema, ela teve importante influencia no surgimento do frevo e no desenvolvimento do samba. Entre outras importantes contribuições.
Voltando ao tema deste artigo: do ponto de vista das nossas crianças (baseado num trabalho aproximadamente de dez anos ao qual eu estou envolvido) o capoeirista é um herói! É isso mesmo!
Um herói que voa no ar através dos seus saltos mortais, que canta e conta às historia de um povo sofrido, que toca instrumentos que fazem as pessoas se sentirem num ambiente terapêutico-divertido, que através de brincadeiras fazem os idosos se sentirem crianças novamente (criança sempre seremos!), que faz uma criança de um ano e sete meses (Pietro, meu filho) colocar as mãozinhas no chão e fazer movimentos adaptado ao universo da capoeira, que faz um portador de deficiências físicas jogarem como nunca e que, ainda, faz com que as pessoas portadoras de necessidades especiais se divirtam no ritmo do berimbau. E por que não citar as crianças de nossas entidades. As crianças da SOGUBE, por exemplo, que sorri e se encanta naturalmente durante a oficina. Elas se envolvem num mundo de encanto e arte. Onde o herói capoeira (Arte-Educador) tem por OBRIGAÇÃO transformar a capoeira em arte, brincadeira, musica e alegria. Tudo isso no sentido de formar bons cidadãos.
As crianças do CECON-PETI que me chama de "meu tio herói da capoeira". E que ainda, por cima, me dão um longo abraço.

Esse relato é simplesmente para dizer que: a capoeira é tudo de bom que existe em nossas vidas! Simplesmente, é só o arte-educador-herói-capoeira saber utilizar a magia, a ludicidade, o encanto e a musicalidade que existe no mundo mágico e alegre chamado capoeira.
Nossas crianças não sabem, mas o herói capoeira, encontra em todos os sorrisos e em todos os abraços dado por elas uma força a mais na luta contra a desigualdade social. É por isso, que deve sempre existir o herói capoeira (do ponto de vista da criança). Um herói que tenha uma visão mais humanista (do ponto de vista do educador). Até mesmo porque o mundo não esta precisando de heróis de Tv. E, sim, de bons CIDADÃOS!

Bom, mas e os pais, não são heróis?
Os pais não podem ceder o espaço para o herói da Tv. Os pais sempre serão os heróis de formação (dos bons exemplos, dos bons costumes e de uma boa educação familiar). Mais para ser esse herói é preciso ter comprometimento familiar de verdade!
É fácil fazer (pai herói), difícil mesmo é cuidar (herói de Tv). Não vamos "terceirizar a responsabilidade de ser família". Não deixem os maus heróis (que são muitos) adotarem seus filhos. Nossas crianças, simplesmente, só precisam de um pai + uma mãe que são = a uma boa família estruturada.
É bem simples ou não é? Ou se não, chama o herói capoeira! Antes que um outro herói adote seu filho ou sua família inteira.
Brincadeiras a parte, o objetivo deste artigo não é apresentar soluções para o problema familiar, mas sim, cobrar um pouco mais da participação dos pais no sentido amplo no que diz respeito a participação (responsabilidade) familiar. Até mesmo porque o mundo em que nos vivemos é o mundo em que o meu filho vai crescer. Espero que ele cresça num mundo mais justo. Você tem filhos?

domingo, 22 de março de 2009

Papo do chefe com o seu funcionário


Meu caro funcionário:
Sente se ai, por favor.
Olha só:

Seu otário,
Seu atrasado,
Seu imbecil.
Saia daqui!

Seu bastardo,
Seu insubordinado,
Seu imprestável.
Saia daqui!

Seu bagunceiro,
Seu irresponsável,
Seu desastrado.
Saia daqui!

Seu improdutivo,
Seu pequinês,
Seu lesma,
Seu besta,
Seu 13.
Saia daqui!

Seu invejoso,
Seu criminoso,
Seu louco.
Saia daqui!

Seu Ritter,
Seu Buche,
Seu Hugo Chávez,
Seu Evo Morales.
Saia daqui!

Seu Saddam Hussein,
Seu Bin Laden,
Seu Fidel Castro.
Saia daqui!

Mais chefe, eu não estou lhe entendendo.
O senhor é que é:
Um mau patrão,
Um canalha,
Um ladrão.
Por isso, eu peço demissão!

O senhor é um aproveitador,
Um explorador,
O senhor não tem coração.
Por isso, eu peço demissão!

O senhor é um corno.
Sua mulher é dos outros.
Sua riqueza saiu das custas dos outros.
Seus filhos também são uns cornos.
Todos os outros funcionários os chamam de cornão.
Por isso, eu peço demissão!

Para finalizar:
É sempre assim, uns mandam
E outros obedecem. Mesmo que no fim das contas,
Isso, não passa de uma idéia por parte de quem não tem o que fazer
Da vida!!!